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Existe uma brincadeira entre estudantes de economia que diz o seguinte: Só é da esquerda quem nunca estudou economia na vida. Sinceramente, a cada dia que se passa, mais verdadeira esse trocadilho se torna.

O verdadeiro plano da direita“, por Sílvio C. Bava em 21 de Julho de 2014, publicado pela Fundação Maurício Grabois, ligada ao PC do B.

Não é preciso ser um gênio para desmantelar toda a argumentação do sociólogo, que nada mais é do que um articulador da Esquerda, metido a entendedor de economia, vamos por partes. Porém, veja como a desonestidade é usada para manipular os leitores do site.

  1. É um exercício de juntar as partes e buscar compreender esse discurso, que agora se torna raivoso, de uma direita que está presente no espaço público e nos estádios de futebol e já disputa as eleições, com as armas que tem.

    Por favor, me digam que Direita é essa que estou louco para conhecer! Uma breve explicação, para todo pensador de Esquerda, tudo/todos que não tiverem uma ideologia igual à da esquerda será Direita, para eles não existe a posição Liberal, a confusão é tamanha na cabeça dessas pessoas que a própria esquerda acusa ela mesma de ser de direita ou neoliberal, para quem tiver curiosidade leia o artigo de Mauro Luis Iasi (PCB), O PT e a Revolução Burguesa no Brasil.

  2. Vale tudo para tirar o PT do governo. Seu maior poder é o controle da mídia. É por meio dela que a direita disputa a opinião pública e impõe sua visão de mundo. A internet muda um pouco esse estado de coisas, permitindo a expressão da pluralidade e o questionamento da realidade. Mas ela não tem o poder da TV. Mais de 95% dos domicílios brasileiros têm televisão. E seus moradores, todos os dias, passam horas assistindo a uma variedade de programas, aliás, não tão variados assim.”

    Se fosse outra pessoa, eu diria: Pura ingenuidade. Mas vale lembrar as propagandas que a Dilma fazia sobre a redução da conta de luz? Ficou só na promessa. E aquela propaganda recente, um marketing genial (tenho que reconhecer) sobre o Fantasma do Passado que foi suspensa pelo TSE por ser difamatória, sem mencionar a matéria especial que o Estadão fez sobre os 16 bilhões de Reais que Dilma gastou em propagandas na TV, confira. É tanta contradição que o Sílvio cria que chega ser covardia desmascarar cada parágrafo mentira que ele escreve.

    Enquanto as propagandas de caráter político que o PT utiliza para dizer que reduziu a miséria,


  1. .“Nas últimas eleições para o Congresso Nacional, 230 parlamentares eleitos foram financiados majoritariamente por menos de 5% das empresas que se engajaram em algum financiamento eleitoral.”


    Isso sim é uma denúncia grave, isso sim merece atenção total por parte dos brasileiros, SE, tivesse alguma comprovação da informação. Não estou aqui para defender políticos, partidos ou empresas, mas se um tópico desses é abordado com seriedade, qual é o problema em citar nomes?

  2. Segundo os ideólogos da direita, a economia vai mal e o país está sendo levado para uma fase ruim. O PIB é baixo. A inflação é alta. As exportações fraquejam. A balança comercial vai para o vermelho. O investimento caiu. Os ativos na Bolsa de Valores e as taxas de juros caíram. Os aumentos reais de salários e o maior investimento nas políticas sociais pressionam os custos. O superávit primário está ameaçado e o país caminha para um cenário de baixo crescimento que precisa ser evitado. Esse é o discurso formulado pelo capital, especialmente pelo setor rentista”.

Arbitrariamente após sua colocação final, “discurso formulado pelo capital” nenhuma, absolutamente NENHUMA informação fora comprovada ou desmentida, em termos de filosofia, tudo se resume em “Argumentum ad lapidem”, em outras palavras – é uma afirmação absurda.

  • “A proposta, na realidade, em primeiro lugar, é aumentar os juros da dívida pública e o superávit primário. Isso para atender ao setor rentista. Depois, reduzir salários e os benefícios previdenciários, e flexibilizar os contratos de trabalho, destituindo direitos. O aumento do desemprego para pressionar os salários é desejável. Haverá também privatizações, aumento nas tarifas públicas e cortes no orçamento das políticas sociais, abrindo espaço para as empresas privadas ampliarem sua presença no setor.”

    Ficam as perguntas: Qual proposta? E o principal, de quem é a proposta? Se é para denunciar uma proposta de redução de salários (algo que realmente é impossível acontecer no Brasil, visto que é ILEGAL) e corte de benefícios (esse sim é legal) vamos dar nome aos elementos, a população merece saber, a menos que não haja nomes a serem citados, simplesmente por se tratar de uma denúncia falsa, totalmente tendenciosa com o intuito de manipular o leitor sem expor nenhum argumento conciso.

    Em um segundo momento chega ser irônico, aumentar o desemprego para pressionar os salários, sendo que sua premissa é aumentar o superávit primário, como se aumenta o superávit primário criando desemprego? Uma vez que, geração ou aumento de renda per capita significa mais captação de impostos, mais receita para o governo, melhor resultado na apuração das contas. Não faz absolutamente NENHUM sentido o esse sociólogo de fundo de quintal diz.

    Sobre as privatizações, sim elas precisam acontecer, principalmente com os Correios, um serviço público, monopolizado e caríssimo, não vou entrar em muitos detalhes aqui, mas quem já teve envios perdidos conhece muito bem o SAC dos Correios.

    Outro ponto importante é o corte das políticas sociais e aumento das tarifas públicas, quem são esses elementos? Sem nomes, uma acusação dessas não tem validade nenhuma. E o mais engraçado é, após os cortes dos programas sociais e o aumento das tarifas públicas as empresas privadas irão de alguma forma (mágica, só se for) ampliar sua presença no setor (qual setor? Pra que informar né).

  • “Como anunciado, o novo governo eleito assinará tratados de livre-comércio para internacionalizar nossa economia, isto é, abrir o mercado brasileiro ainda mais para as grandes corporações transnacionais, destruindo a indústria nacional, o pequeno e médio empresário. Essa abertura envolve a redução de tarifas de importação e a livre circulação dos fluxos de capitais, tão a gosto do capital especulativo financeiro.

    E para tudo isso é necessário ganhar as eleições e assegurar o controle do Estado.

    Primeiro, um acordo entre países ou entre blocos comerciais, visa sim estabelecer uma política facilitadora de compra e venda de mercadorias entre as partes, é uma via de mão dupla e não um sistema de colônia/metrópoles. Parceiros comerciais como EUA e União Europeia são de extremo interesse para o Brasil, são mercados com alta propensão de consumir nossos produtos, assim é com a China, apesar de que muitos produtos importados do país não possuem uma boa qualidade, conseguimos exportar não só matéria prima como manufaturados para eles. Outro ponto é a possibilidade das aplicações financeiras em outros países, Mercado de Capitais, aplicações financeiras podem ser feitas em outros países com liquidez e rentabilidade assegurada, em uma linguagem mais popular, o dinheiro sai do Brasil e quando volta traz consigo lucro. Um pensador da Esquerda jamais entenderia esse sistema, devido a limitação de sua compreensão financeira.

  • Essas propostas estão sendo aplicadas na Grécia, na Espanha e na Itália, e não têm nada de original. Elas obedecem aos interesses e ao comando das grandes corporações transnacionais e da acumulação financeira. Qualquer veleidade de autonomia ou de projeto de desenvolvimento deve ser engavetada“.

    Político-econômica internacional não abordarei com profundidade, apenas deixarei de apontamento que países como Grécia, Espanha e Itália recebem ajuda da União Europeia, que em comum acordo entre os 28 membros, (29 quando o processo de adesão da Ucrânia concluir) é de ajudar os países membros mais necessitados.

  • Mas, como veremos nesta edição, e contrariando a análise precedente, o brasileiro vai melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram. O motor da economia é, e sempre foi, o mercado interno. A novidade não está no andar de cima, com seu consumo de elite. A novidade está no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa, circuitos curtos de produção e consumo, gerando emprego e bem-estar. Tudo isso implicou a redução do ganho dos rentistas.

    Então, neste caso, a economia vai mal para quem?

    Para finalizar, Sílvio junta todo um pacote de informações soltas e sem aprofundamento (esperar algo melhor, impossível) concluindo que o Brasil melhorou, mais emprego, mais consumo, melhor condição de vida e menos ganho dos grandes empresários.

    De certa forma, o brasileiro vive UM POUCO melhor do que antes, de longe seria algo como “bem-estar”, de fato desde a implantação do Plano Real (Julho 1994) a economia brasileira deu um salto, um dólar custava um real, a inflação passou de 47,43% em Junho de 1994 para 6,84% em Julho do mesmo ano, tivemos inflação mensal de mais de 80% no mês de Março de 1990. Foi o Plano Real que controlou nossa inflação.

    Sobre a questão do desemprego, o Instituto Mises Brasil a algum tempo publicou um artigo em 2012 bastante didático e completo sobre a real situação da taxa de desemprego no Brasil, confiram aqui em Abril de 2014 eles atualizaram as informações, link, as informação não são nada tranqüilizadoras, sem falar na discrepância entre os dados do IBGE (oficialmente utilizado) e o DIEESE (órgão de pesquisa sindical) e da SEADE (SP), desde quando o PT assumiu o governo, a PME – Pesquisa Mensal de Emprego teve suas métricas alteradas, distorcendo dados e resultados.

    O “ingresso de dezenas de milhares de brasileiros no mundo do consumo” é tão superficial quanto uma gota de óleo em um copo d’água, todo brasileiro é consumidor seja ele pobre ou rico, essa conclusão só me remete a pensar que o sociólogo pseudo-economista se refere aos brasileiros que saíram da linha da miséria, fixada atualmente em R$ 70,00 por mês, para o IPEA o número é de 10,08 milhões (5,29%) de brasileiros abaixo da linha de miséria em 2012 (último dado divulgado e documentado), em uma série histórica, a extrema pobreza vem diminuindo gradativamente, 2011 o índice era de 6,31%. Acontece o seguinte, quando uma pessoa sai da linha de miséria, essa tende ser respectivamente pobre, o que parecia boa, na verdade não é, em 2012 a taxa de pobreza do Brasil fechou em 15,93% (30,35 milhões), não é uma regra geral dizer que sair da linha de miséria para a linha de pobreza possa ser considerado um índice negativo, mas convenhamos, bom ele não é. Outro índice a ser analisado é a Renda Bruta per capita (GNI), em 2013 fixado em 11,690, consequentemente esse índice também vem crescendo, em série histórica para o Brasil é um bom crescimento, mas quando comparado a países vizinhos é desesperador saber que esses países menores e com menos capacidade produtiva e PIB menor e mais moeda fraca que a nossa conseguem índices melhores de distribuição de renda, Chile com 15,230, Uruguai com 15,180 e Venezuela com 12,550. O PIB Brasileiro em 2013 foi de 2,3 trilhões de dólares, A soma do PIB do Chile (268,29 Mi) com do Uruguai (57,41 Mi) e Venezuela (381,59 Mi), é de 707,29 milhões de dólares, não chega a metade do PIB brasileiro, e mesmo assim os 3 países demonstram uma distribuição de renda melhor que a brasileira. Sinceramente não podemos bater palmas para o Brasil, dizer que melhoramos economicamente e socialmente é dizer que adoramos nos contentar com migalhas.

    E por último não menos importante, o mercado brasileiro nunca foi dependente interno de seus produtos, caso contrário seriamos autônomos em matéria-prima e manufatura, portanto não precisaríamos importar produtos, é difícil de entender isso? Para o sociólogo Sílvio C. Bava parece impossível.

Referencias:

  • IBGE – IPCA Tabela 1737
  • IPEA – Social: Tema Renda
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