Tags

, , , , ,

Polônia, 8 de Junho de 2010, torna-se ilegal símbolos comunistas, diz o Art. 13, da Constituição da Republica da Polônia, “Partidos políticos e outras organizações cujos programas são baseados em ideologias totalitárias e os modos de atividade do nazismo, o fascismo e o comunismo, bem como aqueles cujos programas ou atividades de sancionar o ódio racial ou nacional, a aplicação de violência com a finalidade de obtenção de poder, ou para influenciar a política do Estado, ou para assegurar o sigilo de sua própria estrutura ou de adesão, deve ser proibida.

Pois bem, por quais motivos? (Primeiro uma piada) diz o PC do B do Brasil em nota oficial que é uma tentativa de censura por parte da elite conservadora, espera menos do que isso de um partido desses é brincadeira.

A história da Polônia comunista é triste, começa pela Segunda Guerra Mundial, os Nazistas invadem o território polonês ao oeste no dia 1 de Setembro 1939, Operação Fall Weiss e no dia 17 do mesmo mês a União Soviética invade o leste.

O Massacre de Katyn, 5 de Março, 1940 de acordo com o historiador Gerhard L. Weinberg, Stalin ordena a execução de aproximadamente 15 mil oficiais além dos oficiais de reserva mandados para os Gulags. Maria Szonert-Binienda (WAS KATYN A GENOCIDE? 2012) conta que a União Soviética descaradamente propagandeou que o Massacre de Katyn fora contra os oficias que oprimiam os trabalhadores pobres da Polônia.

Um argumento comum de que o crime de Katyn foi cometido por motivo político, em vez de nacional, e, portanto, que não pode ser classificado como genocídio. Em outras palavras, os prisioneiros de guerra oficial polonês foram assassinados não porque eles eram patriotas poloneses que defendiam seu país contra a agressão soviética e o direito de uma nova Polônia vir existir, mas sim porque eram opressores anticomunistas de trabalhadores pobres e, portanto, inimigos políticos do regime comunista” – WAS KATYN A GENOCIDE?

Mas não para por ai, durante o desenrolar da Segunda Guerra, muitos refugiados foram para Kresy, no leste, onde o Stalin ordenou deportações em massa para os Gulags, os números giram em torno de 320 mil condenados aos campos de concentração soviéticos, as informações podem ser conferidas no Institute of National Remembrance Poland from 1939 to 1945. The Personal Losses and Victims of Repression under Two Occupations, por Wojciech Materski e Tomasz Szarota, 2009.

O período pós Segunda Guerra, todas as instituições do Estado polonês foram fechadas e reabertas em seguida por supervisores soviéticos, todos os partidos políticos foram dissolvidos, apenas o partido soviético era legalizado, em outras palavras o país que havia sido devastado pela guerra perdeu completamente a soberania de seu território.

O regime comunista retirou a moeda polonesa de circulação, milhares de pessoas perderam suas economias, e pior, os soviéticos são corrigiram as economias pessoais e tão pouco as converteram sobre a nova moeda corrente.

Para evitar críticas sobre as ações tomadas no país, a mídia era controlada e subordinada a dirigentes em Moscou. Geoffrey Roberts aponta em seu livro Stalin’s wars: from World War to Cold War, 1939-1953 os assassinatos e deportações, o número impressiona, 100 mil prisioneiros, a NKVD (Narodniy komissariat vnutrennikh diel – Comissariado do povo para assuntos internos) foi responsável pela perseguição de quem não seguisse as ordens de Moscou, até poloneses comunistas eram perseguidos por esse órgão soviético.

A crise na agricultura, meados de 1960, por conta da coletivização, ou se preferir, a reforma agrária, não supria efetivamente a demanda, para resolver esse problema o Estado fixou os preços dos alimentos em meados de 1970 e começou a importar alimentos, o resultado, a indústria agrícola polonesa quase faliu por estar completamente estagnada. Dezembro de 1970, o governo anuncia o aumento dos preços de alimentos básicos, o que novamente gerou uma grande onda de insatisfação. O desfeche ocorre na cidade de Gdynia, nova repressão do governo sobre os manifestantes, todos trabalhadores e pobres, 27 mil soldados comunistas foram convocados contra as manifestações, houve 42 mortes e mais de 1000 ficaram feridos, todos trabalhadores. Dezenas de greves se seguiram pelos anos seguintes exigindo melhores condições de vida para os trabalhadores, líderes de sindicatos eram caçados e presos pelas autoridades comunistas.

Por fim, uma esperança, o movimento político Solidarność (1980)solidariedade, surge com o apoio do Papa João Paulo II e a Igreja Católica, afim de lutar pelos direitos humanos e direito da população marginalizada pelo regime totalitário soviético. O Solidarność tornou-se o movimento político mais poderoso da época e contribuiu para a constituição da República da Polônia após a queda da cortina de ferro.

E ainda tem gente que diz que a Polônia não deve equiparar os símbolos do comunismo com os do nazismo e proibir qualquer manifestação dessa ideologia no país. Somente quem compactua com as mentiras e desonestidades da esquerda consegue, com a maior cara de pau, dizer que o Governo polonês está errado ao criar uma lei dessas.

Fontes:

  • Szonert-Binienda, Maria. “Was Katyn a genocide.” Case W. Res. J. Int’l L.44 (2011): 633, pg. 690 – 697.
  • Institute of National Remembrance Poland from 1939 to 1945. The Personal Losses and Victims of Repression under Two Occupations, Materski , Wojciech e Szarota, Tomasz, 2009
  • Roberts, Geoffrey. Stalin’s Wars: From World War to Cold War, 1939-1953. Yale University Press, 2006, pg. 319
  • Rowiński, Jan, and Tytus Jaskułowski, eds. The Polish October 1956 in world politics. Pism, 2007, pg. 155.
  • Villaume, Poul, and Odd Arne Westad, eds. Perforating the Iron Curtain: European Détente, Transatlantic Relations, and the Cold War, 1965-1985. Museum Tusculanum Press, 2010, pg 42.
  • Cirtautas, Arista M. The Polish Solidarity movement: revolution, democracy and natural rights. Routledge, 2002, pg 164 e 200.
Anúncios